LIBERDADE: UM PONTO DE VISTA
Monja Coen, no livro "A Sabedoria da Transformação - Reflexões e Experiências", conta a história de um grande filósofo chinês que caiu em desgraça na corte e foi expulso pelo imperador. Tempos depois o imperador descobriu as intrigas que o fizeram desacreditar de seu conselheiro leal e pediu que o trouxessem de volta, reservando um cargo importante para ele na corte. Ele receberia honra, riquezas e o que mais fosse necessário.
O filósofo foi encontrado à beira de um rio, pescando calmamente. Fizeram todas as ofertas, o que ele quisesse seria atendido. Mas o sábio negou e aproveitou para contar a história de uma grande tartaruga que vivia em um local sagrado, cheio de relíquias, sendo sempre muito bem tratada e homenageada. Porém, apesar das grandes honrarias, ela nunca podia chegar perto da lama. E perguntou: "O que vocês escolheriam: ser uma tartaruga que recebe fortunas, honras e homenagens em um local limitado ou ser uma tartaruga que pode colocar a cauda no lodo?". Ninguém soube o que responder. E ele disse: "Pois eu prefiro ficar com a cauda no lodo".
"Às vezes deixamos de apreciar a nossa liberdade de ir e vir, a liberdade de poder pensar, ter opiniões e escolhas, para nos submeter a situações de aparentes riquezas e honrarias. Não há nada mais honrado e digno do que a liberdade."
- Monja Coen, do livro "A Sabedoria da Transformação - Reflexões e Experiências"
Essa bela mensagem nos traz a lembrança de que sempre é possível escolher nossos caminhos e opiniões, sem estarmos sujeitos a atitudes e opiniões externas. Liberdade é estar em paz consigo mesmo e ter aquela sensação íntima de prazer e bem estar que só sentimos quando alcançamos a sintonia entre nossos valores, desejos, comportamentos e atitudes.
Liberdade é a meta final do yoga.
Em geral, achamos que a liberdade se trata da possibilidade de fazer o que quiser na hora que quiser. Essa é uma noção falsa de liberdade, porque o sujeito que quer realizar todos os desejos que passam pela sua cabeça está completamente guiado por suas fantasias, seus sentidos e seus processos mentais, pode ser considerado tão livre quanto um escravo. Mas nesse tipo de escravidão, o opressor é a própria mente.
Segundo o yoga, uma ação só é livre quando não está sendo determinada pelos gostos, padrões e aversões do sujeito. A liberdade é a descoberta da nossa natureza essencial, o que já somos, mas ainda buscamos por falta de clareza em relação ao nosso verdadeiro Ser. Livre de tristeza, de limitações, de insuficiência, podemos agir com liberdade na ação.
Que sejamos livres para ser o que somos e que possamos, a cada dia, ser o nosso melhor.
Namastê!