O caminho do Bhakti
Muitos anos se passaram desde que comecei a escrever… nunca foi algo regular, mas nos momentos mais difíceis estava eu lá, com um caderninho em mãos, colocando meus medos, dúvidas e sentimentos em palavras…. E sempre quando a vida “entra no trilho” as coisas se acalmam; eu deixava a escrita de lado… É um desafio me manter escrevendo quando o tempo parece encurtar e as demandas externas aumentar, mas destes momentos pouco preciso lembrar, afinal, é através da pressão que o diamante se revela!
E tenho estado em um período de muitas mudanças, internas e externas, e ontem, arrumando minhas coisas, achei meus caderninhos! E como é bom reler, reviver, e lembrar que tudo passa, que tudo faz sentido, que tudo se releva e torna maior…. maior no sentido de evoluir em mim, nos caminhos da vida, nas escolhas…. E agradeço todas as minhas conquistas, apesar dos momentos de desconforto, incertezas, vesti-me de coragem e saí mais forte. Percebo que sempre segui meu coração, aquela intuição que não cala, que aparece sempre nos momentos mais solitários, aquilo que decidi por mim mesma, sem pedir opinião, simplesmente encarei e avancei no desconhecido…. Acreditei no pulsar interno, entreguei _/\_
Que bom, assim percebo que nunca estive sozinha, sempre acompanhada do meu Guru interno, a voz que me guia, me orienta e mostra o quanto é importante ter presença.
Presença que nos nutre de prāṇa quando nos deparamos com a beleza da natureza, a imensidão das árvores, o nascer e o por do sol. Reverencio a sabedoria da criação, e através dos sentidos percebo a energia do calor do sol batendo na pele, o cheiro da chuva, o vento, as águas que lavam o corpo, purificando meus sentimentos e acalmando meu coração.
Ter a percepção do “Todo” em tudo e de tudo no “Todo” sempre foi algo familiar pra mim, mas não sabia que esse era o caminho da devoção, o caminho do Bhakti.
Bali sempre foi meu refúgio, me conquistou pelo brilho no olhar dos balineses, nas oferendas diárias que deixam as ruas com cheiro de incenso, pelo ritmo de vida guiado pelas cerimônias e pelo calendário lunar… afinal somos parte da natureza Rita.
Mas foi na minha última viagem, quando estive na India, que percebi o poder de ritualizar a vida, minha prática de yoga, o meu Sadhana.
Hoje aprendi a desacelerar em meio ao caos, não me contaminar, porque meus rituais me nutrem, me mantém sã e são a parte mais importante do meu dia.
ॐ✨