“Aham Saksih” _ Eu sou o eterno Observador
Tad abhavat samyogabhavohanam tad drseh kaivalyam
_ Yoga Sutra 2.25
Sem a ignorância (avidya) não existe a união. Aí está a independência do Observador.
Quando a identificação criada por avidya é removida, o observador permanece em sua verdadeira natureza.
Purusha (a consciência) é sempre imutável, porém é temporariamente preso a Prakrti (a matéria). É importante entender esse conceito para além da teoria, no dia a dia, nas nossas experiências, ações, altos e baixos da vida. Pergunte-se: estou contaminado por essa experiência? Quem sou eu? Sou feliz? Infeliz? Se continuamente você se perguntar, fazendo essa reflexão meditativa, vai perceber que somos apenas o conhecedor. Sabemos que diferentes coisas acontecem, mas não há diferença no conhecimento. Os Vedantas usam o termo “Aham Saksih” _ eu sou o eterno observador.
Quando estamos preocupados com alguma perda, devemos nos perguntar; Quem está preocupado? Quem sabe que estou preocupado? Com a resposta a preocupação se dilui. Quando analisamos a preocupação, ela se torna um objeto, algo que já não nos envolve mais. Se estamos tristes, desconfortáveis com alguma situação e recebemos a notícia que algo de muito ruim aconteceu, nossos pequenos problemas desaparecem. A atenção é automaticamente transferida, portanto, tudo é relativo.
Todas as experiências do mundo são mentais, colocamos nossa mente em alguma coisa e começamos a conversa mental, mas, a partir do momento que nossa atenção muda de foco o pensamento anterior se vai, passa a não ter importância. A descrita pela expressão sânscrita “Mana eva manusyanam” _ Assim como a mente, é a pessoa.
A causa da escravidão e da liberdade é a nossa própria mente; se pensarmos estar presos, assim estaremos; se pensarmos ser livres, assim seremos. Porque você pensa estar vivo, aqui está, se colocar na cabeça que está morrendo, você vai morrer. Somente quando transcendemos a mente é que estaremos livres destas questões. A mente é o agente de Prakrti e sua parte mais sutil. Precisamos perceber que somos completamente diferentes da mente.
Somos eternamente livres, nunca escravos. Isso não significa que podemos ficar ociosos, tendo percebido a liberdade devemos trabalhar para ajudar àqueles que continuam na ilusão (maya) . Quando uma pessoa forte atravessa a correnteza de um rio, ela não deve simplesmente continuar sua jornada, e sim, ajudar os outros a atravessarem o rio.
_ Tradução e comentários Sri Swami Satchiananda