Vichara Sadhada

Qual a minha responsabilidade como professor de Yoga?

Quais são as armadilhas a serem observadas quando se ensina Yoga?

Perguntas essenciais, que na maioria das vezes não são realmente levadas em consideração.

As responsabilidades como professor de Yoga são inúmeras, e essa pergunta tem sido feita quando já se está ensinando, geralmente os alunos-professores não levam a sério o auto-conhecimento e logo após terminarem seus trainings dão início a uma

“carreira” como professor....

“O yoga preocupa-se com a liberdade do sofrimento. O primeiro passo é se envolver na auto-introspecção e, assim, entender os obstáculos internos que podem ser superados; o objetivo das ferramentas de yoga é enfraquecer os obstáculos que destroem a liberdade da alma.”

Swami Vivekananda

Vichara Shadana, é a palavra em sânscrito para auto-questionamento, assim como Vivekananda coloca, este é o primeiro passo, se envolver em auto-introspecção, assim como outros grandes mestres também afirmam.

Aquele que conhece os outros é sábio, aquele que conhece a si mesmo acorda”

Tao Te Ching

A importância da auto introspecção, a responsabilidade do auto-questionamento, do auto-conhecimento é Vital para os professores de Yoga.

Quando se faz a opção por tornar-se professor de Yoga você leva essa responsabilidade a um outro nível; agora você tem a responsabilidade com os alunos e com a sua continua dedicação a se conhecer, trazendo Luz ao seu caminho e iluminando o caminho dos alunos.

Essa responsabilidade começa no compromisso com o Yoga de uma forma integral. Não quer dizer que você deva ter um compromisso com a prática de asanas. 

Você deve ser apaixonado pela liberdade, entendendo o real significado do yoga e fazendo uso das ferramentas oferecidas pelo yoga para que o seu estilo de vida seja pautado dia após dia no caminho para a liberdade do sofrimento. O Yoga é a prática a cada momento, manter-se consciente e presente em todos os aspectos da sua existência. É preciso autenticidade, coragem, força e compaixão.

Observação das ações, pensamentos, sentimentos, reações e respostas, questões pessoais, motivações e as constantes flutuações da mente. Não quer dizer que seja uma prática obsessiva, nem o excesso de auto-análise, é apenas o estado de presença percebendo o que é, e trazendo consciência e reconhecimento aos diferentes aspectos da mente sem julgamentos, sem envolvimento para então seguir com mais sabedoria.

Na minha experiência como professora, vejo muitos alunos graduados como professores rapidamente perdendo sua prática. Começam a dar aulas e mais aulas e passam a achar que as aulas são seu próprio tempo de prática. O Sadhana é um tempo sagrado, precioso e essencial para a evolução constante que é a fonte da sua própria experiência para manter suas aulas vivas.

A palavra prática é exatamente isso, você pratica para quê? A prática te mantém consciente perante a vida, te liberta, traz auto-realização. Não interessa qual a ferramenta do yoga você está utilizando, os frutos do Sadhana vem com a habilidade de manter-se focado e presente, sem se envolver com os pensamentos que surgem.

Dharana, o foco constante que traz a união do corpo, da mente e do espírito é o que reconhecemos como Yoga.

Sempre questiono meus alunos, o yoga fez você mudar? Continua te transformando? Porque se a resposta for negativa, é tempo de reavaliar como é que você tem praticado. 

Um dos erros mais comuns do yoga moderno, é a prática de forma pasteurizada, que não vai de encontro com as necessidades individuais, ou a prática de forma mecânica, distraída na mente, sem presença. A evolução através da prática é essencial. Primeiro vem a realização pessoal, na sequência a realização da Uninade.

É preciso saber qual a prática é mais benéfica para si. Aquela que vai trazer o melhor retorno, como e o que praticar em relação com as suas necessidades pessoais; físico, mental e emocional.

Entendo que é preciso alguns anos de prática para refinar e adquirir conhecimento, a própria prática revela e desvenda essas verdades. O tempo de descoberta é pessoal, porém definitivamente, ter um professor que entenda essa qualidade de prática como guia, ajuda a trazer essa sabedoria. Por isso é importante ter muitos anos de prática antes de se assumir como professor.

Se você não tem auto-conhecimento e experiência através da sua própria prática é muito difícil guiar os alunos de acordo com suas necessidades individuais.

Ensinar o Yoga pode ser recompensador, mas também é como andar na ponta da navalha; muitos professores são vítimas do ego, na ilusão de sucesso mundano e em um falso senso de poder e autoridade, nessa posição eles se desviam e o ego se infla.

Infelizmente quando isso acontece eles se tornam parte do problema coletivo ao invés de ser um caminho para a solução, presos no dogma, abusam do poder e do ego em nome do Yoga. Chamo isso de piada cósmica! 

Quando falo de responsabilidade, não falo de uma maneira pesada e séria, o que quero dizer é de maneira consciente e acordada. Estamos todos em níveis diferentes de desenvolvimento e evolução, e só podemos fazer aquilo que realmente somos capazes de fazer, ter uma intensão responsável é um ótimo começo. É preciso ensinar com o exemplo e experiência pessoal. 

Ensinar é uma benção, e nos coloca em uma posição que requer mais vigilância na própria vida como yogi, e ainda um compromisso maior em desvendar as próprias sombras, trazendo luz às próprias questões, reações e propensões egoísticas, revelando o verdadeiro eu.

Ao ensinar Yoga, temos a sorte de estar constantemente relembrando essa preciosa filosofia, destilando aos poucos essa linda sabedoria cada vez mais profundamente dentro de nós mesmos. Existem tantas coisas a serem levadas em conta quando se ensina Yoga, e não muito espaço para a escrita, gostaria de enfatizar a importância da Auto Responsabilidade primeiro, para a sua própria dedicação e prática.

Espero que seja um lembrete. 

Por Louisa Sear

Bali, Fevereiro 2018, Yogiview Magazine 

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